Fundação cultural: Cultura pela Cidadania


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Título da publicação:
Fundação cultural: Cultura pela Cidadania
Nome da fonte:
Jornal Esfera
Eixo Temático:
Cultura Geral
Dia:
-
Mês:
Julho
Ano:
1993
Tipo de fonte:
jornais
Década:
1990
Página:
p. 3
Edição:
Ano 3, nº 22
Editora:
-
Onde está a fonte pesquisada:
CDM SJC
Fundo ou Acervo:
Maestro José da Cunha (MJAC)
Link original:
Endereço (mapa):
São José dos Campos, SP, Brasil
Local histórico:
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Nome do(s) artista(s):
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Nome artístico ou apelido:
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Função do(s) artista(s):
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Instrumento musical:
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Nome do grupo artístico:
Tags:
#fccr #conselhomunicipaldecultura #sabiadeouro #joaocursino #semanacassianoricardo
Transcrição completa:
Imagem: Fotografia em preto e branco com jovens em um palco tocando instrumentos de sopro. À esquerda há o maestro, à frente um homem falando ao microfone e à direita do palco um homem observando a cena. O cenário é composto por cortinas ao fundo, microfones e dois cartazes escrito: "Conselho Municipal de Cultura" e "Sabiá de Ouro".
Ano de 1967: Um grupo de jovens que fazia o curso clássico da Escola João Cursino, de São José dos Campos, estimulado por um dos professores inicia um movimento cultural na cidade. O primeiro passo foi a elaboração de uma comissão que planejou a 1º Semana Cassiano Ricardo. Artistas e autoridades participaram da votação dessa comissão.
Em 1968 após a realização da 2º Semana Cassiano Ricardo, estimulado pelo evento, o prefeito instituiu o Conselho Municipal de Cultura, criado nos moldes do Conselho Estadual de Cultura, composto por comissões setoriais de Teatro, Cinema, Artes Plásticas, Literatura, Música e Tradições Brasileiras. O presidente foi o próprio prefeito. O secretário executivo, escolhido pelo prefeito, nomeava os conselheiros.
Com a intervenção do prefeito, nomeado pelo regime militar, o Conselho Municipal de Cultura foi extinto em 1970. A política de prefeitos nomeados ficou atrelada ao projeto autoritário de governo, impedindo as manifestações das artes e a expressão livre da sociedade. O movimento cultural diminuiu, existindo apenas poucos eventos importados e a comunicação de massa acrítica.
Com as eleições [in] diretas implantou-se em São José dos Campos, de 1978 a 1982, uma gestão populista. Restrita a um Departamento de Cultura subserviente às intenções políticas do Executivo municipal, a Cultura em São José dos Campos era, nessa época, um artigo supérfluo.
Em 1982, a candidatura a prefeito do PMDB elabora seu programa de governo sob a égide da Fundação Pedroso Horta, órgão interno do partido, que incluía representantes do movimento cultural descontentes com a política implementada para o setor até então.
O movimento cultural, constituído por segmentos da intelectualidade local, elaborou uma proposta progressista para o setor cultural, como todos os outros setores sociais. Eleito, o candidato do PMDB não contentou o movimento cultural.
Até mesmo, dentro do PMDB correntes se levantaram contra o que foi chamado de "marasmo cultural". Em 1984, um grupo remanescente da Fundação Pedroso Horta, ligado ao movimento cultural, mobilizou-se no dia 24 de julho, na Praça Afonso Pena. Três mil pessoas compareceram para protestar contra o "marasmo cultural". Sete mil pessoas assinam o documento pró-Conselho de Cultura, com a exigência que fosse um Conselho Deliberativo dentro da Prefeitura. O vice-prefeito encontrou como caminho para inserir a administração pública no vigoroso movimento, que tomou conta da cidade, a instituição de uma Fundação Cultural com mais liberdade e com personalidade própria.
Instituída a Fundação Cultural Cassiano Ricardo, o Conselho Deliberativo é o órgão máximo da instituição. A partir do incremento das comissões setoriais (Artes Plásticas, Cinema e Vídeo, Dança, Folclore, Fotografia, Literatura, Música e Teatro), que elegem democraticamente seus coordenadores desde 1986, são traçados os projetos, o orçamento e a política
cultural do município. Os oito coordenadores compõem o Conselho, presidido pelo diretor presidente, que tem voto de qualidade.
Deficiências:
Havia deficiências na lei de criação da Fundação, datada de 14 de dezembro de 1985. O Conselho Deliberativo fazia a escolha de seis nomes para a escolha da presidência da instituição, e era prerrogativa do prefeito a escolha final. O orçamento não era garantido por lei e a Fundação Cultural chegou até a sofrer intervenção ilegítima por parte da administração em 1987.
No ano seguinte, 1988, o vereador do PSB apresenta emendas à lei que criou a Fundação Cultural Cassiano Ricardo. Com as emendas, a eleição se dá através de lista triplice para a presidência, a diretoria cultural é eleita diretamente pelo Conselho e fica obrigatório o concurso público para o corpo funcional.
Durante todos esses anos, o Conselho Deliberativo resiste e se soma ao antigo movimento cultural da década de 60 com o emergente movimento cultural dos anos 90. Hegemônicas, as comissões setoriais elegem a atual diretoria da entidade, legítima dentro do processo histórico da evolução e autonomia do cidadão nas decisões sobre Cultura.
Observações e comentários da equipe CDM SJC
Segundo entrevista de Roberto Wagner Almeida, jornalista e editor do Jornal Agora, concedida ao CDM SJC, há um erro nesta matéria do Jornal Esfera / FCCR quanto à atribuir o nascimento da "Semana Cassiano Ricardo" a estudantes da Escola João Cursino. Segundo Roberto, a "Semana Cassiano Ricardo" nasceu de seu empenho, junto ao prefeito Elmano Veloso, para valorizar e homenagear o poeta.
O fato pode ser comprovado pelo livro "Viagem no Tempo e no Espaço - Memórias", de Cassiano Ricardo (Coleção Documentos Brasileiros, Ed. José Olympio), p. 255-256: "Tenho a todos externado a emoção que a Semana me causa. Foi. porém, Roberto Wagner de Almeida quem, em artigo "A Cidade Esquece o Poeta", publicado no O Valeparaibano, em 15 de outubro de 65, chamou a atenção dos joséenses para a conveniência de São José marcar com uma festa o reencontro da cidade "com o seu filho ilustre". A idéia de Roberto saltou das colunas do jornal e tomou vulto. Conquistou adeptos. Os primeiros planos foram esboçados. E surgiu a Semana Cassiano Ricardo". [...]

Este projeto foi desenvolvido pelo CDM SJC para preservação de memória e auxílio à pesquisa, em acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018, Artigo 7º) que dispõe sobre a utilização para estudos por órgão de pesquisa. A equipe realizou todos os esforços para identificar e creditar todas as imagens e obras, e se mantém à disposição para acrescentar (ou retirar) informações mediante solicitação por email (cdmsaojose@gmail.com)
