Musicaviva: a primeira audição da “Missa Diligite”, de Guarnieri



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Título da publicação:
Musicaviva: a primeira audição da “Missa Diligite”, de Guarnieri
Nome da fonte:
Jornal AGORA
Eixo Temático:
Corais
Dia:
13
Mês:
Dezembro
Ano:
1973
Tipo de fonte:
jornais
Década:
1970
Página:
5
Edição:
322
Editora:
-
Onde está a fonte pesquisada:
Arquivo Público Municipal / FCCR
Fundo ou Acervo:
Roberto Wagner de Almeida
Link original:
Endereço (mapa):
São José dos Campos, State of São Paulo, Brazil
Local histórico:
Local ausente ou desconhecido
Nome do(s) artista(s):
Mozart Camargo Guarnieri, Walter Lourenção, Cussy de Almeida, Angelo Camin
Madrigal MusicaViva
Nome artístico ou apelido:
Maestro Lourenção
Função do(s) artista(s):
Regente, coralista
Instrumento musical:
Voz
Nome do grupo artístico:
Tags:
#coral #maestro
Transcrição completa:
AGORA – São José dos Campos, 13 de dezembro de 1973 – Página 5
Musicaviva: a primeira audição da “Missa Diligite”, de Guarnieri
**Lourenção contesta críticas ao coral**
Em vista de críticas externadas pelo sr. Cussy de Almeida ao Madrigal Musicaviva, o maestro Walter Lourenção encaminhou uma carta à redação do jornal AGORA esclarecendo a posição do coral que há anos dirige nesta cidade.
Segundo o maestro, ele não teria se recusado a ensaiar o Kyrie de Cussy de Almeida por julgá-lo de má qualidade, como se imputou. A declaração foi feita publicamente.
Não foi possível porque não havia tempo para realização dos ensaios, bem como o Madrigal Musicaviva já tinha compromissos marcados para os meses de novembro e dezembro, cujo cumprimento era prioritário.
Diz o seguinte o esclarecimento do maestro Walter Lourenção:
“Considerando que as declarações publicamente feitas pelo sr. Cussy de Almeida a respeito da 2ª apresentação tanto à Socem quanto ao Madrigal Musicaviva, que representamos oficialmente, à Prefeitura da Estância de São José dos Campos, solicitamos que V.Sa., além da verdade, divulgue esta nossa declaração, que vai assinada para os devidos fins, sendo portanto de nossa responsabilidade as afirmações nela contidas.
Menos de duas semanas antes de 2 de dezembro, apareceu num ensaio do Madrigal Musicaviva, no consultório médico do dr. Fausto Ivan Vilas-Boas (pois o Madrigal está sem local de ensaio desde a reforma da Sala Veloso), um jovem representante de uma firma de investimentos, que interrompendo nosso ensaio nos entregou uma partitura de um Kyrie da Missa Armorial composta por Cussy de Almeida, dizendo-nos: ‘Vocês vão fazer esta missa nos dias 2, 3 e 4 de dezembro, em São José e em Taubaté. Está resolvido’.
Respondemos que teríamos muito prazer em cantar uma obra de Cussy de Almeida, mas que isso não seria possível no momento, porquanto o Madrigal tinha vários compromissos para novembro e dezembro; de fato na mesma semana iríamos nos apresentar em Jacareí, e ao mesmo tempo estávamos preparando um concerto para os dias 16 e 20 de dezembro, com outro repertório, constando a Missa Ferial de Camargo Guarnieri. Em todo caso, iríamos consultar todos os cantores no próximo ensaio, pois nem todos estavam presentes, para saber se todos poderiam realizar ensaios extraordinários e se poderiam cantar nos dias 2, 3 e 4 de dezembro.
No ensaio seguinte informamos ao interessado que de fato não seria possível, pois estávamos inteiramente concentrados na preparação da Missa Diligite (‘Amai-vos uns aos outros’) de Camargo Guarnieri, que seria levada a 16 de dezembro no Teatro Municipal de São Paulo, para encerramento solene da Temporada de 1973.
No ensaio seguinte compareceram dois representantes da mesma firma de investimentos, entregando-nos um bilhete cuja direção da firma nos informava que o andamento do Kyrie era ‘moderato’. Os insistentes rapazes disseram que ‘estava criada uma situação’ e que tínhamos de dar um jeito. Como se vê, os dois cavalheiros com certeza não representavam o setor de relações públicas da firma. Por que se representassem deveriam ser demitidos.
Novamente examinamos a partitura do Kyrie e dissemos que a obra era fácil e que seria para nós uma grande honra cantarmos com orquestra armorial, que consideramos uma das melhores do país, e com Cussy de Almeida, certamente um violinista dos mais altos méritos internacionais. Concluímos entretanto que não poderíamos nos responsabilizar pela apresentação solicitada, pois praticamente para o dia 2 havia sido marcado o único ensaio geral com o grande órgão Tamburini no Teatro Municipal, com o maestro Angelo Camin, e que não havia outra data livre para isso.
No dia 3 teríamos outro ensaio substitutivo em São José. E dia 4 tínhamos outro ensaio em São Paulo. Além do que a complexidade da missa e o pequeno número de ensaios disponíveis tornaria imprudente uma diversificação de atenção por parte dos cantores. O Madrigal Musicaviva ensaia apenas duas vezes por semana; seus cantores nada recebem para tal trabalho. Até pelo contrário, às vezes pagam para fazê-lo. O Madrigal Musicaviva não é um coral municipal, portanto.”
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Apresentações do Madrigal Musicaviva
O Madrigal Musicaviva realizará duas apresentações em São Paulo, na próxima semana: uma no dia 16, domingo, no Teatro Municipal, e outra na igreja da Consolação, no dia 20.
No recital do Teatro Municipal será apresentada, em primeira audição, a Missa Diligite (‘Amai-vos uns aos outros’), de Camargo Guarnieri, juntamente com o Grupo Coral do Museu de Arte, solistas e orquestra sob a regência do maestro Walter Lourenção. Na primeira parte, obras de Salatti, Gabrieli, Stravinsky, Bach e outros autores.
O concerto, que será patrocinado pela Prefeitura de São Paulo, marcará o encerramento das atividades musicais do Departamento Municipal de Cultura em 1973, ao mesmo tempo em que se anuncia intensa temporada de concertos para o ano próximo.
No dia 20, na igreja da Consolação, a mesma obra será novamente apresentada, às 20 horas, dentro da missa solene para o Natal, que será celebrada pelo cardeal arcebispo d. Paulo Evaristo Arns.
Estarão presentes a esta segunda audição o governador do Estado, sr. Laudo Natel, o chefe da Casa Civil, sr. Henri Aidar, secretários, o prefeito de São Paulo, sr. Miguel Colassuono e suas famílias. A cerimônia será dedicada ao funcionalismo público e à população em geral.
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Contestam críticas ao coral
O artigo também discute a ideia de “música brasileira”, questionando a tentativa de reduzir a identidade musical do país a determinados elementos rítmicos ou regionais. Argumenta-se que a música brasileira caracteriza-se justamente pela diversidade de influências e estilos.
Entre os compositores citados no debate aparecem Mignone, Guarnieri, Lacerda, Kiefer, Souza Lima, Widmer, Escobar, Penalva, Vasconcelos Corrêa, Gilberto Mendes, Willy Corrêa, Mário Ficarelli, Guerra Peixe, Dinorah de Carvalho, Almeida Prado e outros.
O texto conclui afirmando que, caso novos convites sejam feitos com a antecedência devida e por meios institucionais adequados, o Madrigal Musicaviva poderá aceitá-los. Caso contrário, diante de convites feitos de última hora e em tom impositivo, a resposta permanecerá negativa.
Observações e comentários da equipe CDM SJC

Este projeto foi desenvolvido pelo CDM SJC para preservação de memória e auxílio à pesquisa, em acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018, Artigo 7º) que dispõe sobre a utilização para estudos por órgão de pesquisa. A equipe realizou todos os esforços para identificar e creditar todas as imagens e obras, e se mantém à disposição para acrescentar (ou retirar) informações mediante solicitação por email (cdmsaojose@gmail.com)
